[ e s c u t a r a s c r i a n ç a s ]




Eu estava trabalhando quando Benjamin me chamou e disse:
- mãe, surpresa!
Olhei para trás e ele mostrava as duas mãos verdes pintadas com cola colorida.
Assim que ele terminou a frase na mesma hora com um olhar de espanto eu disse:
- meu filho isso é cola, não é tinta, vai ser difícil de tirar!
Instantaneamente ele tirou o sorriso do rosto e foi para o banheiro lavar as mãos e na mesma hora me dei conta do que eu tinha feito. O interessante é que ele já havia enchido as mãos de cola em outra ocasião, motivo pelo qual deve ter levado ele a pintar hoje, mas ele não se lembrou disso na hora devido a minha atitude tão intensamente negativa.
Muitas vezes os pais são os destruidores de sonhos e fantasias das crianças, e que consecutivamente com atitudes como esta minha limitam a criatividade, liberdade e aprendizado da situação, eu tinha sido uma destruidora de sonhos para ele naquele momento e ainda antecipado a descoberta que ele mesmo faria posteriormente ao tentar lavar as mãos por conta própria.
Enquanto pensava nisso, ele já estava no banheiro, e comecei a falar:
- Filho, pode continuar brincando, não tem problema pintar as mãos com cola, é um pouco mais difícil de limpar, mas eu te ajudo quando chegar a hora e se tu precisar. E também dá para tirar como adesivo se ela secar
O sorriso voltou, ele parou de lavar as mãos, secou com um pano que dei a ele e pediu para colocar cadeira, mesa, potes e as colas dele no pátio, pois ele ia pintar de novo as mãos, com todas as cores, e disse para tirar foto e mandar para a prof dele.
Ele pintou de novo, começou a lavar, pediu ajuda, dei uma esponja para ele, que facilitou o processo de limpeza e repetiu o processo mais vezes: pintar as mãos e lavar. Em uma das vezes a exigência era que assistisse o processo de pintura.

Augusto Cury disse que ser impaciente é desistir de educar. Isso diariamente faz sentido na maternidade...
E citando Rubem Alves “o ato de ouvir exige humildade de quem ouve. E a humildade está nisso: saber, não com a cabeça mas com o , que é possível que o outro veja mundos que nós não vemos." 

É preciso ouvir as crianças para que nossa inteligência desabroche.

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