[ p a r e d e d e c a s a ]

Eu cresci sempre com o pensamento de que as paredes de uma casa precisavam ser extremante limpas, sem riscos, sem restos de cola, sem restos de fitas adesivas, que a mesa precisava ser impecável, assim como o chão, o sofá, que a cama precisava ser organizada ao levantar.
A gente cresce e descobre que essas coisas são somente detalhes que não farão muita diferença no final do dia, no final da semana, no final da vida.

Em 2017 o Benjamin entrou na escolinha, como mãe sou apreensiva com isso, com o que é ensinado, com o que acontece com ele nas longas horas que ele fica lá.

A cada final de semestre as professoras enviavam para casa algumas atividades que eles faziam ao longo dos meses.

Em 2017 antes de mudarmos de cidade chegaram as últimas atividades dele e fui surpreendida com o meu filho dizendo: mamãe, vamos colocar meus trabalhinhos no meu quarto? Na parede?

Ele já havia feito um desenho em uma parede antes dizendo: mamãe fecha os olhos que fiz um desenho para você (ele fala você). Na hora o coração para, mas o sorriso sincero da criança elimina o espanto e talvez a raiva de ter recém pintado a parede e ele ir lá desenhar de giz.




Bom, minha resposta foi: Sim filho, vamos colocar seus trabalhinhos na parede.
Ele ajudou a colocar, segurou a fita adesiva, segurou os trabalhos e fomos colocando.



As paredes de uma casa, e de uma casa com criança, não são feitas somente de uma tinta impecável com cor reluzente, não são somente feitas de tijolos e decoradas com quadros. Elas são feitas de histórias e da felicidade de uma criança que se sente feliz em seu lar e que sente que ele faz parte disso.
Um dia a gente aprende...

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